TJMG mantém suspensão de escolas cívico-militares em Minas Gerais

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Por -12/07/2026, às 16H22julho 13th, 2026
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Foto: Divulgação/SEE

Tribunal confirma decisão do TCE-MG e determina a descontinuidade do modelo nas nove escolas da rede estadual

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu manter a suspensão do programa de escolas cívico-militares no estado. A decisão, tomada por dois votos a um na 19ª Câmara Cível, confirma a determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). Com isso, o governo não poderá manter o modelo nas nove escolas estaduais que já o adotavam nem expandi-lo para novas unidades. Ainda cabe recurso.

Decisão mantém entendimento do TCE-MG

Os desembargadores Pedro Carlos Bittencourt Marcondes e Marcus Vinicius Mendes do Valle votaram pela manutenção integral da decisão do TCE-MG. Já o relator, desembargador Wagner Wilson Ferreira, ficou vencido.

Ele concordou com a suspensão da expansão do programa. No entanto, defendia que as nove escolas permanecessem funcionando no modelo cívico-militar até o julgamento definitivo da ação.

Na decisão, o TJMG destacou que cabe ao Tribunal de Contas fiscalizar a legalidade da política pública. Além disso, ressaltou que a retirada dos militares não interrompe as aulas, não fecha escolas, não transfere estudantes e nem altera a grade curricular, já que a atuação dos militares possui caráter complementar.

Tribunal de Contas apontou irregularidades

O TCE-MG suspendeu o programa após identificar a ausência de uma lei estadual específica para instituir o modelo e a falta de previsão orçamentária para sua execução.

Além disso, inspeções técnicas concluíram que os indicadores educacionais das unidades participantes não apresentaram evolução significativa após a implantação das escolas cívico-militares.

Sind-UTE comemora decisão

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) classificou a decisão como uma vitória da educação pública e atribuiu o resultado à mobilização da categoria.

Segundo o sindicato, além de promover debates, audiências públicas e mobilizações com a comunidade escolar, a entidade apresentou representação contra o programa. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) também protocolou denúncia junto ao Tribunal de Contas.

De acordo com o Sind-UTE, as manifestações apontaram irregularidades como a ausência de legislação estadual, possíveis desvios de recursos da educação para pagamento de militares e a inexistência de dotação orçamentária específica.

Entenda o caso

O debate sobre as escolas cívico-militares em Minas Gerais começou em 2023, quando o governo federal encerrou o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim). Na época, o então governador Romeu Zema decidiu manter o modelo no estado.

Posteriormente, em 2025, o governo iniciou consultas para ampliar o programa. Entretanto, suspendeu o processo durante o período de férias escolares.

Ainda em 2025, o Tribunal de Contas determinou a paralisação do programa. Em janeiro de 2026, uma decisão de primeira instância autorizou temporariamente a continuidade das escolas. Porém, em fevereiro, o TJMG voltou a suspender a medida.

Agora, com o novo julgamento da 19ª Câmara Cível, permanece válida a determinação de descontinuar o programa nas nove escolas estaduais enquanto a discussão judicial continua.