Transporte coletivo de Divinópolis pode entrar em greve após seis anos de tarifa congelada

Minas Gerais
Por -10/04/2026, às 11H25abril 10th, 2026
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Foto: Divulgação/CDL

Para impedir greve, prefeitura fala em reajuste de 4,65% aos trabalhadores e aumento de R$ 200 mil no subsídio; Janete diz que abrirá negociação para revisão da tarifa em outubro

Os trabalhadores do transporte coletivo de Divinópolis podem entrar em greve a partir de quinta-feira (16/4). A primeira assembleia do dia, realizada nesta sexta-feira (10/4), decidiu pela paralisação, com notificação a partir de segunda-feira (13/4). Uma nova reunião ocorre às 15h desta sexta, com o grupo de profissionais que inicia a paralisação no período da tarde. Só após ela, haverá o encaminhamento pela greve ou não.

A assembleia contou com a participação da prefeita Janete Aparecida (Avante). Aos trabalhadores, ela propôs um prazo maior para o aviso de greve, a fim de tentar intermediar um acordo entre a categoria e o Consórcio TransOeste. Uma nova reunião está prevista para segunda-feira.

De antemão, a prefeita antecipou que não concederá o reajuste proposto pelas empresas. Segundo ela, a discussão sobre tarifa poderá ser aberta apenas a partir de outubro, após o período eleitoral. O contrato de concessão termina em 2027 e, ainda este ano, a prefeitura deve iniciar a elaboração de um novo edital.

Conforme Janete, o município já repassa mensalmente um subsídio de R$ 2 milhões para compensar o congelamento da tarifa, que segue sem aumento há seis anos.

Proposta da prefeita para ônibus não parar

A prefeita propõe aos trabalhadores um reajuste de 4,65%, referente à reposição da inflação. Ela lembrou que, no ano passado, a categoria conseguiu cerca de 50% de aumento.

A expectativa é que o índice seja apresentado formalmente na segunda-feira, quando também será proposta a ampliação do subsídio em R$ 200 mil, com pagamento integral na próxima parcela.

Conforme Janete, um subsídio superior ao já concedido acrescido dos R$ 200 mil colocaria em risco serviços essenciais.

“Tive a coragem de vir aqui e pedir isso para vocês. Eu sei que o meu pedido não agrada a todos mas o que eu estou pedindo hoje é o que eu dou conta de fazer. Por isso que eu vim aqui olhar nos olhos de cada um e pedi isso pra vocês”, afirmou durante a assembleia da manhã.

Déficit e congelamento da tarifa de ônibus em Divinópolis

Na quarta-feira (8/4), o presidente do consórcio, Fernando Carvalho, afirmou que, para compensar o congelamento da tarifa, o município teria que repassar pelo menos R$ 700 mil a mais. Entre os fatores apontados está o aumento dos combustíveis.

O reajuste e o subsídio são colocados pelo consórcio como condicionantes para atender às demandas da categoria. O sindicato defende a reposição da inflação, ganho real e outros benefícios.

Segundo o empresário, o congelamento também tem impactado a qualidade do serviço. Sem reajuste, as empresas não conseguem, por exemplo, renovar a frota.

“Infelizmente, com essa tarifa e com esse subsídio, não dá para fazer proposta nenhuma. Estamos tentando, mas não temos condições”, afirmou na quarta-feira (8/4).

Ele disse ainda que já esteve com a prefeita. “Mostramos que, há cinco anos, tínhamos uma frota com idade média de dois anos e meio a três anos, todas com acessibilidade. Hoje, temos uma frota com média de oito anos. Precisamos recompor essa frota e a alteração do subsídio, caso contrário não conseguiremos manter o trabalho que temos prestado há mais tempo”, disse Fernando Carvalho.

Greve dos motoristas de ônibus: transporte coletivo pode parar em Divinópolis

Caso a segunda assembleia confirme a paralisação a partir de quinta-feira (16/4), o departamento jurídico do sindicato fará as notificações a partir de segunda-feira (13/4), cumprindo os prazos legais.

Contudo, a expectativa é de que haja um acordo ainda no início da semana entre trabalhadores e o consórcio, evitando a paralisação.