União Europeia confirma veto a carnes e outros produtos do Brasil a partir de setembro

EconomiaMinas Gerais
Por -06/06/2026, às 17H47junho 6th, 2026
CNA/Wenderson Araujo/Trilux

Bloco europeu retirou o país da lista de exportadores autorizados; decisão envolve exigências sobre uso de antimicrobianos na produção animal

A União Europeia confirmou a suspensão das importações de carnes, tripas, peixes e mel produzidos no Brasil. O veto entrará em vigor em 3 de setembro e já aparece em documento oficial publicado no Diário Oficial do bloco europeu.

A medida surgiu poucas semanas após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Dessa forma, o Brasil deixará a lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países europeus.

Exigências sanitárias motivaram decisão

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil ainda não comprovou integralmente que cumpre as exigências do bloco em relação ao uso de medicamentos antimicrobianos na criação de animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dessas substâncias. No entanto, os europeus consideraram que o país precisa apresentar garantias adicionais.

As regras fazem parte da política de saúde pública conhecida como One Health, criada para reduzir o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre as substâncias restritas estão virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

Decisão não indica contaminação da carne brasileira

Apesar da restrição, a União Europeia não apontou problemas sanitários ou contaminação nos produtos brasileiros.

Na prática, a decisão tem caráter regulatório. O principal foco envolve rastreabilidade, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Para retomar as exportações, o Brasil precisará demonstrar que atende plenamente às normas europeias durante todo o ciclo de produção dos animais.

Setor destaca qualidade da produção brasileira

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o país possui um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo.

Além disso, a entidade ressaltou que a carne bovina brasileira atende às exigências sanitárias de mais de 170 países e que o setor trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura para adequar protocolos às novas exigências europeias.

Por sua vez, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou que o veto não resulta de problemas sanitários ou de irregularidades identificadas na produção nacional.

Segundo a entidade, o debate envolve o reconhecimento dos mecanismos brasileiros de fiscalização e controle. Ainda assim, a associação defendeu que as normas internacionais se baseiem em critérios científicos, transparência regulatória e avaliações de risco reconhecidas mundialmente.

Mercado europeu é estratégico

A União Europeia representa um dos principais destinos das proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco figura entre os maiores compradores em valor das exportações do país.

Por isso, a decisão pode exigir novos investimentos em rastreabilidade, certificações sanitárias e monitoramento da cadeia produtiva para que o Brasil volte a exportar os produtos atualmente vetados.

Com informações da Agência Brasil