Debate sobre Educação Especial em Divinópolis virou confronto: Matheus chamou o conselho de “politiqueiro e partidário”; José Heleno rebateu
Por Victória Ribeiro
Na audiência pública sobre Educação Especial Inclusiva realizada pela Câmara de Divinópolis, o clima esquentou quando o vereador Matheus Dias (Avante) fez críticas duras ao Conselho Municipal de Educação (Comed). Durante a reunião, o parlamentar classificou o órgão como “politiqueiro” e pediu renovação com “visão mais técnica”.
Em resposta, o presidente do Comed, José Heleno Ferreira, repudiou o ataque e afirmou ter se sentido desrespeitado. A deputada estadual Lohanna França (PV) publicou nota pública em solidariedade ao conselho e ao presidente. O vereador Vitor Costa (PT) também se posicionou.
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Ataque do vereador
Durante a sessão, o vereador Matheus Dias criticou a atuação do Comed.
“Sou defensor dos conselhos; já fui presidente do conselho enquanto estive em Goiás, em missão, lá na cidade de Uruaçu. Mas é uma pena, porque aqui, no Comed tem muita representatividade a SEMED (Secretaria Municipal de Educação), a Superintendência e várias instituições, mas é uma pena que hoje seja um conselho muito politiqueiro e partidário. E isso nos atrapalha. Porque nós poderíamos ter muitos avanços através do Comed. Espero que, até para deixar registrado, que nessa próxima eleição a gente consiga fazer como fizemos no fórum: que a gente mude, coloque alguém com uma visão mais técnica, mais honesta nas suas lutas, para que a gente possa avançar e contar com o conselho. Porque ali é um local importante de debate, mas que nós não conseguimos avançar nessas demandas.Bem, falece, presidente; muito obrigado. Obrigado, vereador.”
Embora não tenha mencionado o nome, as críticas foram direcionadas ao presidente do Comed, o professor José Heleno Ferreira, o qual já teve embates com o parlamentar por divergências ideológicas.
Rebate do presidente do Comed
No outro vídeo, o presidente do Comed, José Heleno Ferreira, rebateu as acusações feitas pelo vereador. Em suas falas, defendeu o papel técnico e fiscalizador do conselho e afirmou que as manifestações o deixaram se sentindo desrespeitado. José Heleno reforçou que o Comed funciona para contribuir com o debate educacional e garantir o cumprimento de leis que asseguram a inclusão escolar e que o trabalho exige diálogo e atuação técnica.
Vereador Vitor cobra solidariedade
O vereador Vitor fez duras críticas à falta de solidariedade ao presidente do Comed e se disse indignado com o ocorrido.
“E sentir falta, com todo respeito, Andréa, de solidariedade ao professor Zé Heleno como conselheiro. Porque solidariedade, quando tem um ataque público, a gente faz é aqui no microfone e não no celular. Infelizmente, eu não acho normal ver a história do Zé, como presidente de conselho, como líder em movimento social, ser desrespeitado e não ter o mínimo de solidariedade. Nós não podemos ser coniventes com esse tipo de coisa. E eu falo pessoalmente: o Zé foi meu professor, eu sou fruto da educação pública municipal desse município. Eu já sofri muita coisa na escola, com homofobia, e ele estava do meu lado e me ajudou.”
Vitor também criticou o que chamou de “clube da Luluzinha” na audiência, apontou falta de convite a estagiários e assistentes educacionais. Afirmou que a secretária de Educação deveria ter se posicionado em defesa do presidente do conselho. Segundo o vereador, “quem se cala diante de um ataque desses é, no mínimo, conivente”.
Nota de apoio da deputada Lohanna
A deputada Lohanna divulgou nota pública de solidariedade ao Comed e ao presidente José Heleno:
“Manifestamos nossa solidariedade ao Conselho Municipal de Educação de Divinópolis (Comed) e, em especial, ao seu presidente, o Doutor em Educação, José Heleno Ferreira, diante do ataque sofrido durante Audiência na Câmara Municipal. José Heleno tem uma longa trajetória de dedicação e compromisso com a defesa da educação pública, sempre atuando de forma técnica, democrática e responsável.
É importante reforçar que o papel do Comed é o de contribuir com o debate educacional, construir orientações e fiscalizar a execução das políticas públicas, e não assumir atribuições que cabem ao Poder Executivo. Questões como o cumprimento das leis que asseguram a inclusão escolar, o enfrentamento dos desafios vividos pelos profissionais da educação, a necessidade de apoio, formação continuada e estrutura adequada para que a inclusão seja efetiva e não apenas formal, são responsabilidades da gestão pública, não do conselho.
A Câmara Municipal deve ser um espaço de diálogo, debate qualificado e articulação em prol da cidade, e não de ataques pessoais ou institucionais. Atitudes como a registrada nesta ocasião enfraquecem o processo democrático e desrespeitam o esforço de quem, como o Comed, atua em defesa da educação de qualidade.
Reiteramos nosso apoio e respeito ao Comed e a todos os seus conselheiros e conselheiras, reafirmando que a defesa da educação deve estar sempre acima de interesses individuais ou partidários.”
Contexto da audiência
A audiência sobre Educação Especial Inclusiva reuniu representantes da Secretaria Municipal de Educação, do Comed, da assistência social, do sindicato dos trabalhadores da educação. Além disso, contou com a particição de famílias e profissionais.
O debate destacou avanços como o aumento do número de profissionais de apoio e a ampliação de salas de recursos. Contudo, também apontou lacunas na articulação intersetorial entre saúde, assistência e educação.


