Vereadora acusa vídeo de prefeito de Divinópolis de racismo e aciona MP

Política
Por -10/02/2026, às 19H12fevereiro 12th, 2026
racismo recreativo
Foto: Reprodução vídeo prefeito Gleidson Azevedo

Kell Silva acusa vídeo divulgado pelo prefeito de Divinópolis de racismo recreativo e protocola notícia de fato no Ministério Público.

A vereadora Kell Silva (PV) acusou o prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Novo) de racismo recreativo após a publicação de vídeo nas redes sociais, nesta terça-feira (10/2). Ele nota, ela manifestou publicamente repúdio ao conteúdo divulgado.

No vídeo, utilizado para anunciar a entrega do Hospital Regional, uma transição de imagens mostra a figura de um gorila, cujas nádegas são comparadas e transformadas nos lábios de um homem negro que aparece ao lado do chefe do Executivo. O homem em questão é Talles Duque, assessor de Azevedo.

Para a parlamentar, o conteúdo configura um exemplo claro de racismo recreativo.

Entenda o que é racismo recreativo

Em seu posicionamento, Kell Silva explica que o termo “racismo recreativo”, criado pelo jurista Adilson Moreira, refere-se ao uso de piadas, metáforas visuais ou humor para reproduzir estereótipos racistas e humilhar pessoas negras, disfarçando o preconceito sob uma aparência de entretenimento.

“O racismo recreativo é uma estratégia de dominação. Ele tenta transformar a ofensa em ‘brincadeira’ para deslegitimar a dor da vítima. Quando alguém questiona, é chamado de ‘mimimi’. Mas a verdade é que esse tipo de conteúdo reforça a desumanização de corpos negros que persiste há séculos”, afirma Kell Silva.

Vereadora cobra responsabilidade do chefe do Executivo

Conforme a parlamentar, o uso desse tipo de estética por um gestor público é inadmissível. Isso, especialmente considerando que o prefeito representa mais de 240 mil habitantes.

Kell Silva reforça que o poder de influência de um prefeito deve servir para educar, promover igualdade e combater preconceitos. Ou seja, não para validar comparações animalescas.

“Como mãe, o que mais me dói é pensar no impacto disso nas nossas crianças. Eu não aceito que meu filho, ou qualquer criança negra de Divinópolis, tenha que ouvir na escola que seus traços fenotípicos se assemelham às nádegas de um animal. Isso não é marketing político, é um ataque à dignidade humana”, pontua a vereadora.

Caso levado ao Ministério Público

A vereadora informou que já protocolou uma notícia de fato junto ao Ministério Público e afirmou que seu mandato seguirá vigilante contra qualquer forma de discriminação.

Para Kell Silva, a entrega de uma obra pública, por mais relevante que seja, não concede salvo-conduto para a prática de crimes ou ofensas raciais.