Os médicos afirmam enfrentar, desde o início da atual gestão da UPA, um cenário de práticas abusivas, autoritárias e humilhantes, atribuídas ao então diretor da unidade.
A Câmara Municipal de São João del-Rei pode instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias consideradas gravíssimas na gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A iniciativa parte da vereadora Sinara Campos, presidente da Comissão de Saúde, após o recebimento da denúncia formal assinada por 28 médicos da unidade, que relatam assédio moral e sexual, interferência em condutas médicas, manipulação de indicadores e ameaças de demissão.
O documento, protocolado como Ofício nº 001/2026, classificado como “URGENTE”, foi encaminhado ao prefeito, ao presidente da Câmara e à Secretaria Municipal de Saúde. Nele, os médicos afirmam enfrentar, desde o início da atual gestão da UPA, um cenário de práticas abusivas, autoritárias e humilhantes, atribuídas ao então diretor da unidade.
Conforme o texto, as condutas criaram um “ambiente de terror” incompatível com o exercício da medicina. O ofício registra que havia imposição de decisões administrativas sobre atos clínicos, inclusive com ameaça de demissão imediata em caso de descumprimento, mesmo quando a conduta médica buscava proteger o paciente.
“Desde o início da atual gestão, sob a condução do então diretor Alan Ivan, todo corpo clínico padece diante de condutas abusivas, autoritárias, desrespeitosas e humilhantes”, diz o documento .
Relatos citam interferência em diagnósticos e risco aos pacientes
Além disso, os médicos denunciam interferências diretas em diagnósticos, omissão de exames e alteração de informações clínicas. Conforme o ofício, essas práticas tinham como objetivo facilitar transferências e manter indicadores de desempenho artificialmente elevados.
“As interferências nas condutas são tão verticais que por vezes eram determinadas alterações em diagnósticos, omissão de exames e informações clínicas alteradas”, afirmam os profissionais.
O texto destaca que, embora os números da UPA aparentassem bons resultados, a realidade interna era de esgotamento físico e emocional dos profissionais, o que, segundo os médicos, compromete a qualidade e a segurança do atendimento prestado à população.
- Após goleada, Hulk aproveita folga em Capitólio e exibe bandeira do Atlético em lago de Minas
- Homem morre após queda de moto no bairro Capão, em Nova Serrana
- Homem é preso por importunação sexual durante Carnaval em Cláudio
- Rayssa Leal vence etapa de abertura da Street League Skateboarding na Austrália
- Homem é preso por tráfico durante Operação Carnaval na MG-260, em Itapecerica
Médicos relatam assédio, humilhações e ameaças
O documento também menciona episódios de assédio moral e sexual, além de ameaças, exposição vexatória e uso de apelidos pejorativos, incluindo termos de cunho preconceituoso. Segundo os médicos, o clima de medo afetava diretamente a atuação profissional e colocava em risco a própria integridade física da equipe.
“Os médicos passaram a viver uma verdadeira ‘via crucis’ a cada novo plantão”, registra o ofício.
Vereadora anuncia pedido de CPI e aponta possível omissão
Diante da denúncia, a vereadora Sinara Campos afirmou, nesta segunda-feira (19/1), que vai solicitar formalmente a instauração de uma CPI na Câmara Municipal.
“Estamos falando de denúncias documentadas e assinadas por profissionais da saúde. A Câmara tem o dever de investigar para proteger os pacientes e garantir transparência”, afirmou.
Além disso, a parlamentar informou que recebeu relatos de que o município já tinha conhecimento prévio das irregularidades e não adotou providências. Para ela, a situação pode caracterizar omissão do poder público. Conforme Sinara Campos, toda a documentação seguirá para os órgãos de controle, como o Ministério Público, para as medidas cabíveis.
Documento pede afastamento, auditoria e proteção aos denunciantes
No ofício, os médicos solicitam, entre outras medidas, a instauração imediata de procedimento administrativo, o afastamento cautelar do então diretor, auditoria técnica e administrativa na UPA e garantia de autonomia médica. O texto também pede proteção aos denunciantes contra retaliações e o envio do caso ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG).
“Os fatos narrados poderão ser corroborados por documentos, prontuários, vídeos, fotos e demais documentos”, afirmam os médicos.
Prefeitura afasta diretor e diz que apura denúncias
Em nota oficial, a Prefeitura de São João del-Rei informou que, afastou no dia 17 de janeiro de 2026, o diretor da UPA como medida administrativa preventiva, após a divulgação das denúncias.
“A Administração esclarece que as apurações estão em andamento, dentro dos trâmites legais e conforme a legislação vigente. A Prefeitura reafirma que não compactua com práticas de assédio ou qualquer conduta que viole a dignidade, os direitos e os princípios da administração pública”, diz o texto.
O município afirmou ainda que seguirá acompanhando o caso e colaborando com as autoridades competentes.
Registro de ocorrência
Uma profissional da UPA chegou a registrar, na quinta-feira (15/1), um boletim de ocorrência relatando assédio sexual por parte do diretor da unidade desde outubro de 2025. Conforme ela, o investigado pediu diversas vezes para ver suas partes íntimas, além de já ter a ameaçado de morte.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento do assédio. No vídeo, é possível ouvir uma voz masculina dizendo: “Se você vier trabalhar de biquíni, você ganha o que você quiser. O seu tom de pele, eu vou te pedir, na segunda-feira venha de biquíni amarelo de crochê. Na terça, laranja. Na quarta, marrom. Aí eu preciso falar com você a cada 15 minutos na minha sala.”



