Aprovado projeto que incentiva leitura da bíblia em escolas; Parlamentares barraram a proposta da vereadora Kell Silva para incluir livros de diferentes religiões
Os vereadores de Divinópolis rejeitaram a emenda modificativa apresentada pela vereadora Kell Silva (PV) que ampliava a proposta da Bíblia Sagrada como material paradidático nas escolas do município para incluir obras de diferentes religiões. Com isso, aprovaram, nesta terça-feira (6/8), apenas a utilização da Bíblia, sob o argumento de que 90% da população é cristã, desconsiderando minorias religiosas.
De acordo com Kell, que é professora, mestre e doutora em História, a proposta visava promover um ensino mais inclusivo, plural e culturalmente enriquecedor. A emenda previa autorizar o uso de livros como a Torá, o Alcorão, os Vedas, o Livro dos Espíritos, o Tripitaka, o Livro de Mórmon, o Guru Granth Sahib, além de textos das religiões de matriz africana e saberes dos povos originários.
“Ou é intolerância religiosa ou birra da emenda ter sido apresentada por mim. Não há outra explicação”, afirmou a vereadora.
A emenda recebeu apenas dois outros votos favoráveis, além do dela: Dr. Delano (PL) e Rodyson do Zé Milton (PV).

Debate sobre pluralidade e laicidade
Kell disse que, no plenário, apresentou exemplos práticos de como a religião pode ser analisada pelo viés cultural em sala de aula, dentro da perspectiva da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“Fiz um discurso ontem (5/8) na tribuna mostrando como a religião é analisada pelo viés cultural em sala de aula e demonstrei na prática como outros livros religiosos são utilizados dentro da perspectiva da bncc. Mas ali, parece que há uma raiva pelo conhecimento.”
Em seguida, ela reforçou que:
“O problema nunca foi a Bíblia, o problema sempre foi ser só a Bíblia.”
Kell também criticou a postura dos colegas:
“Passaram o atestado de intolerantes. Gastam dinheiro público para se autopromoverem e promoverem suas convicções pessoais. Não representamos apenas quem votou em nós, representamos toda a cidade de Divinópolis, que justamente por ter maioria cristã precisa conhecer e respeitar a minoria, para não cair em intolerância e em crime de racismo religioso. A câmara mostrou ontem mais uma vez, que professor não serve pra nada. Uma lástima.”
Católico, o vereador Rodyson do Zé Milton (PV) defendeu a necessidade de separar a crença pessoal da função pública.
“Como a gente assume uma postura pública, a gente não pode trazer para dentro que o meu Galo é melhor do que o cruzeiro (…) Não posso levar meu pensamento pessoal para o plenário da câmara. Se sou católico, eu defendo, vou a missa e comungo, eu tenho minha crença pessoal. O estado é laico, tenho que respeitar aquelas pessoas que são evangélicas, protestantes, que não acreditam. Estou aqui pela cidade, assim como pela população, não estou aqui por eu.”
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Autor do projeto defende exclusividade da Bíblia em escolas de Divinópolis
Autor do projeto, o vereador Matheus Dias (Avante) pediu que os parlamentares rejeitassem a emenda, usando dados do IBGE como justificativa.
“O IBGE mostra que em Divinópolis, mais de 90% da população é cristã (…) O impacto cultural de outras religiões em Divinópolis é irrelevante. Isso demonstra o IBGE.”
Conforme ele, não haverá imposição da leitura da bíblia, apenas incentivo e valorização.
“Nosso projeto não fala em bíblia católica, fala bíblia sagrada. É a bíblia. Nosso projeto deixa isso claro, a bíblia não é um simples livro religioso, é um livro mais lido, vendido e influente. Trata questões culturais, geográficas, tem poemas, questões folclóricas, assim como contos. Estamos falando da realidade de Divinópolis. A emenda é uma tentativa de sabotagem e impedir a votação do nosso projeto de lei, como foi feito em outra ocasião, antes do recesso.”
Matheus afirmou não desrespeitar outras religiões, mas questionou:
“Não é questão de desrespeitar outras religiões. Quem me conheço sabe o respeito que tenho com todos. O que o livro de indu tem haver com a nossa realidade?”
Conforme o Censo 2022, 73,82% da população de Divinópolis se declarou católica, 31,5% evangélica, 2,27% espírita, 0,45% Umbanda e Candomblé. Já 3,8% declararam outras religiosidades e 4,24% sem religião.
Dos vereadores presentes, apenas Kell votou contra o projeto final, que agora, então, segue para sanção do prefeito Gleidson Azevedo (Novo).


