VÍDEOS: Alison pesquisou sobre acidentes e medicina legal após matar Henay

Minas Gerais
Por -23/01/2026, às 13H43janeiro 25th, 2026
henay amorim feminicídio
Foto: Reprodução Redes Sociais

Com imagens chocantes, Polícia Civil conclui que mulher foi morta em apartamento em BH e que namorado simulou acidente na MG-050. Inquérito aponta feminicídio e fraude processual.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que apurou a morte de Henay Amorim, de 31 anos, e indiciou Alison Araújo Mesquista, de 45 anos, pelos crimes de feminicídio e fraude processual. As investigações apontam que o homem matou a então namorada dentro do apartamento, em Belo Horizonte, e, em seguida, simulou um acidente na MG-050, em Itaúna, para tentar encobrir o crime ocorrido em 13 de dezembro do ano passado.

Conforme a polícia, após matar Henay, Alison realizou pesquisas na internet sobre acidentes com mortes e laudos de medicina legal, numa tentativa de sustentar uma versão falsa sobre a dinâmica dos fatos. Ele ainda esteve no Instituto Médico Legal (IML) para onde a perícia levou, inicialmente, o corpo da vítima. Lá, fez perguntas e tentou se informar.

Linha do tempo revela agressões e execução do feminicídio

A apuração da PCMG traçou uma linha do tempo detalhada, que expôs histórico de agressões e toda a cronologia do feminicídio. Frames recuperados do celular do investigado mostram Henay deitada em um colchão, já ferida, dentro do apartamento. Outras imagens do circuito interno do prédio registraram Alison carregando a vítima no colo.

De acordo com a investigação, ele colocou Henay no banco do motorista e passou a dirigir o veículo sentado no banco do passageiro durante todo o trajeto até o local do acidente. O crime começou a ser desvendado após a suspeita de uma agente de pedágio, que percebeu a vítima desacordada ao passar pela praça de cobrança.

Simulação de acidente na MG-050

Conforme a Polícia Civil, Alison tramou o acidente para tentar ocultar o feminicídio. Ele jogou o carro contra um ônibus que transportava mais de 30 passageiros. As imagens do pedágio mostram Henay inconsciente no banco do motorista.

Imagens cruciais para desvendar o crime

O delegado responsável pelo caso, João Marcos do Amaral, explicou que a existência de uma câmera dentro do apartamento só foi descoberta após a análise dos celulares da vítima e do autor.

“A Polícia Civil somente descobriu que havia uma câmera no interior do apartamento após analisar as imagens que tinha no interior, tanto do celular da vítima quanto do celular do autor. Foi possível verificar que havia captações de imagens ali no interior do apartamento. Essa câmera já não estava mais quando foi feita a perícia, o que comprova que realmente ele retirou a câmera de lá.”

Segundo o delegado, os frames recuperados mostram o momento do crime.

“Esses frames foram direcionados, armazenados no aparelho celular do autor no dia anterior, em que aparece ele sobre a vítima. A vítima estava deitada no colchão na sala, ele sobre ela, com as mãos ali sobre o pescoço dela.”

A câmera registrou imagens até pouco depois do assassinato.

“Essa imagem foi captada no dia 13, e também captou o frame do momento em que ele desliga a câmera. O último sinal dessa câmera ligada foi às 3h36 do dia 14, ou seja, logo após o crime.”

Sangue de Henay Amorim no apartamento e provas periciais

Durante a perícia, os investigadores localizaram vestígios de sangue na residência, mesmo após tentativa de limpeza. O material foi submetido a exame genético.

“Havia sangue tanto na porta, na maçaneta da porta de entrada, no chão. Foi comprovado que era sangue e, submetido à análise de DNA, comprovou que esse sangue pertencia à vítima.”

Além disso, a polícia encontrou no apartamento um prontuário médico de Alison, emitido após o acidente.

“Dentro do apartamento foi encontrado um prontuário de atendimento médico dele, decorrente do acidente. Esse prontuário era do hospital Manuel Gonçalo, de Itaúna. Então isso comprova que ele esteve dentro do apartamento para apagar esses vestígios.”

Pesquisas na internet reforçaram intenção criminosa

A análise dos celulares revelou que Alison buscou informações técnicas e jurídicas logo após o crime.
“A equipe de investigação conseguiu recuperar que o investigado fez pesquisas na internet relacionadas a acidentes de veículo, baixou arquivos de jurisprudência relacionados a casos idênticos e fez pesquisas sobre medicina legal.”

Para o delegado, o conteúdo demonstra intenção deliberada.

“Esses arquivos demonstram que ele tinha a intenção deliberada de matar a vítima e que estava se munindo de informações técnicas e jurídicas para se defender de uma eventual investigação.”
Indiciamento por feminicídio e fraude processual

Com base no conjunto de provas, a Polícia Civil formalizou o indiciamento.

“A Polícia Civil indiciou o autor pelo crime de feminicídio, previsto no artigo 121-A do Código Penal, circunstanciado pela asfixia e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, além da fraude processual.”
Segundo João Marcos do Amaral, a fraude ocorreu porque o investigado adulterou a cena do crime, simulou o acidente e tentou apagar provas.

“Ele adulterou a cena do crime, simulou um acidente automobilístico para ocultar esse crime anterior e depois retorna ao apartamento para apagar os vestígios.”

Intimado novamente para prestar esclarecimentos, Alison preferiu não falar.

“Diante de todos esses elementos informativos, ele foi intimado novamente, mas preferiu ficar em silêncio. Disse apenas que descartou a câmera porque estaria quebrada.”