Vigilância Sanitária apreende garrafas de belorizontina em Divinópolis

Os produtos ficarão aprendidos nos próprios estabelecimentos; Amostras deverão ser analisadas caso sejam encontradas cervejas dos lotes contaminados

A Vigilância Sanitária iniciou, nesta segunda-feira (13), a vistoria aos supermercados e outros estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas em Divinópolis para lacrar os lotes da cerveja Belorizontina produzida pela Baker. Os produtos não serão recolhidos pelo órgão.

De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, houve a apreensão em depósito, ou seja, os proprietários são os depositários das cervejas. Até o momento não foi encontrada nenhum produto dos lotes que tiveram dietilenoglicol detectado nas amostras analisadas pela perícia da Polícia Civil. Mesmo assim, por preocupação, eles foram apreendidos e a comercialização está suspensa.

Ainda segundo a assessoria, os produtos ficarão apreendidos até determinação da Vigilância Sanitária Estadual. Até lá, nenhuma poderá ser comercializada.

A assessoria também informou que a maioria dos estabelecimentos já havia suspendido a comercialização da belorizontina por iniciativa própria.

A fiscalização continuará ao longo de toda semana.

Outros rótulos

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) intimou a empresa a fazer o “recall” de todas as cervejas e chopes de todas as marcas produzidas entre outubro de 2019 e dia 13 de janeiro. A cervejaria conta com 21 rótulos. A suspeita é que haja contaminação por dietilenoglicol em outras marcas produzidas pela Baker. Ainda não há comprovação e a analise laboratorial será realizada.

Em Divinópolis, por enquanto, a fiscalização é em relação apenas à Belorizontina.

Substância no tanque de refrigeração

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou, hoje (13), o resultado da perícia realizada na substância recolhida do tanque de refrigeração de um dos tonéis usados na produção da cerveja Belorizontina.

Segundo as investigações, o resultado deu positivo para o dietilenoglicol no lote L02 1354. A substância já havia sido detectada em amostras de duas cervejas dos lotes L01 1348 e L02 1348, que foram fornecidas pelos familiares das vítimas de intoxicação, logo no início dos trabalhos de polícia judiciária. O sangue dessas pessoas foi analisado e também foi detectada a substância.

Outro lote

O chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, delegado-geral Wagner Pinto, explicou que o objetivo agora é entender como se deu a intoxicação.

“Neste contexto, há uma necessidade premente do trabalho pericial. Hoje, podemos afirmar que há compatibilidade dos sintomas da síndrome nefroneural com o dietilenoglicol”, analisa.

No último sábado (11), peritos do Instituto de Criminalística (IC) da PCMG levaram as amostras de diversos lotes da cerveja para análise no Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O superintende de Polícia Técnico-Científica da PCMG, Thales Bittencourt, coordena os trabalhos científicos e determinou que fossem realizados os testes de carbonatação.

“O exame, realizado em Brasília, foi de suma importância para demonstramos que as garrafas examinadas – tanto as cedidas pelas famílias das vítimas, quanto as entregues pela empresa – estavam intactas, ou seja, sem sinal de violação”, detalha.

Capixaba

Uma das amostras analisadas na capital federal foi a cerveja Capixaba do lote L02 1348. O resultado deu positivo para a carbonatação, ou seja, sem possibilidade de violação; e positivo, também, tanto para o monoetilenogilicol quanto para o dietilenoglicol.

“Já podemos dizer que três lotes estão contaminados com o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol. Podemos afirmar a existência do dietilenoglicol em garrafas recolhidas na empresa, na casa das vítimas e no sangue das vítimas”, descreveu Wagner Pinto.

Durante a perícia realizada na empresa, na última quarta-feira (9/), investigadores e peritos recolheram notas fiscais que demonstram a aquisição de monoetilenoglicol. O delegado Flávio Grossi, titular da 4ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro, explica que as diligências preliminares começaram no domingo (5/1) e, após o resultado positivo para a presença da substância dietilenoglicol, foi instaurado o procedimento investigatório.

Início das investigações

As investigações começaram assim que a Secretaria de Estado de Saúde informou à PCMG sobre a possiblidade de contaminação exógena.

“Hoje temos a informação de 11 vítimas contaminadas, uma delas faleceu. Durante essa semana, delimitamos a janela de contaminação desses lotes, que estaria entre a 2ª quinzena do mês de novembro e 1ª do mês de dezembro de 2019. A maioria das vítimas se concentra no bairro Buritis, região Oeste da capital. O produto também foi adquirido no bairro Lourdes, região Centro-Sul, bairro Cidade Nova, região Nordeste, bairro Cruzeiro, região Centro-Sul, e em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte”, aponta o delegado.

 

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