Escalada da violência em Divinópolis: Enquanto Brasília se perde em espetáculos, famílias vivem o luto do lado de cá.
Dhandara partiu jovem, levando consigo sonhos interrompidos. Henrique Alves saiu de casa para o trabalho e não voltou. Artur teve o futuro arrancado de forma brutal, sem que sua família pudesse se despedir. Gorete foi morta pelo genro. E, a filha dela ainda luta pela vida, com risco de deixar filhos órfãos do abraço que acolhe e do beijo que sara. A história dela se confunde com a de Lucélia, vítima de um amor doente que se revelou em feminicídio. Vidas que se transformaram em estatística na escalada de violência em Divinópolis.
Todos esses crimes ocorreram em pouco mais de 30 dias em Divinópolis. Homicídios, feminicídios, tragédias que se repetem e que escancaram a banalização da vida. Até quando vamos aceitar tamanha facilidade de matar? Seria pela certeza da impunidade? Pelo machismo que insiste em moldar relações violentas? Pela fragilidade de quem não sabe lidar com um não?
O número de homicídios na cidade já ultrapassa 30 apenas neste ano. Se antes a maioria dos casos estava diretamente ligada ao tráfico de drogas, agora assustam as motivações banais. Uma briga, uma traição, uma discussão qualquer se tornam sentenças de morte. A sensação que paira é a de que qualquer um pode ser a próxima vítima e, no caso dos feminicídios, a constatação dolorosa de que o inimigo, muitas vezes, dorme ao lado.
Não é admissível que a vida humana continue valendo tão pouco. O comportamento social assusta: cidadãos que se dizem de bem, mas que defendem a violência como resposta, prontos a atirar ao menor sinal de frustração. Um dos suspeitos era colecionador de armas. É preciso coragem para enfrentar esse ciclo.
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Sensação de impunidade
A raiz do problema não é simples, mas alguns caminhos são claros. A sensação de impunidade que se arrasta há décadas precisa acabar. O Código Penal deve ser revisto, as penas precisam ser endurecidas e, sobretudo, cumpridas. Não é aceitável que criminosos tratem a prisão como breve intervalo antes de voltar às ruas para fazer novas vítimas.
A política, mergulhada em ideologias rasas e disputas de narrativas, não pode continuar ignorando o essencial. Enquanto Brasília se perde em espetáculos, famílias vivem o luto do lado de cá. Está na hora de cobrar responsabilidade dos representantes eleitos. É dever deles, e é direito nosso, exigir leis que mostrem que o crime não compensa. Desde 2012, o novo código penal está parado no Congresso Nacional.
Que eles trabalhem a finco, assim como estão empenhados para evitar a prisão do ex-presidente Bolsonaro (PL). Que não ofereçam apenas pão e circo. Que toda essa energia, se volte também para debater essa pauta urgente e prioritária para romper essa fama catastrófica de que o Brasil é o país da impunidade.
A cada nome perdido, a cada história interrompida, a sociedade se apequena diante do horror. Precisamos acordar, antes que a barbárie normalize o inaceitável. A vida, toda vida, precisa voltar a ter valor.


