Violênica em queda: Divinópolis entre números

EditorialMinas Gerais
Por -03/02/2026, às 07H29fevereiro 3rd, 2026
viatura polícia militar
Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

“Investir em segurança pública é investir em um futuro mais seguro. E investir passa também pela valorização dos profissionais”

Os números são claros, consistentes e, à primeira vista, animadores. A violência está em queda em Divinópolis. A cidade registrou em 2025 o ano menos violento dos últimos 13 anos, com queda expressiva de 78,66% nos crimes violentos em relação a 2012. Roubos despencaram, extorsões diminuíram, estupros reduziram. Os dados oficiais da Sejusp confirmam uma década de evolução. Ainda assim, há um paradoxo que salta aos olhos: a sensação de segurança não acompanhou essa melhora estatística.

A cidade ficou menos violenta, mas não necessariamente mais tranquila. Embora os índices gerais tenham caído, a sensação de insegurança se mantém, sobretudo à noite. Isso ocorre porque a maior parte dos crimes se concentra entre 18h e 24h, justamente o período de maior circulação social. Por isso, muitas pessoas deixaram de ocupar bares, praças e espaços públicos e, em vez disso, passaram a se recolher em casa.

Mesmo dentro do próprio lar, moradores investem cada vez mais em câmeras, cercas, alarmes e outros aparatos de proteção contra a violência, seja em Divinópolis ou em outras localidades. Assim, a cidade ficou menos violenta nos dados, mas ainda distante da tranquilidade desejada.

Violência em queda: Investimentos contínuos em segurança

Ainda assim, os números merecem destaque. Ao longo de uma década, Divinópolis reduziu drasticamente roubos, extorsões e crimes sexuais. Esse resultado não surgiu por acaso. Ele reflete, acima de tudo, investimentos contínuos em segurança pública. Polícias mais tecnológicas, melhor equipadas e com maior capacidade operacional passaram a atuar de forma mais estratégica. Como consequência, o enfrentamento ao crime ganhou eficiência e consistência.

Entretanto, o aumento dos homicídios em 2025 impede qualquer comemoração plena. Mesmo com a queda geral dos crimes violentos, a alta nas mortes e nas tentativas de assassinato impacta diretamente a percepção da população. Afinal, quando vidas se perdem, a estatística deixa de ser abstrata e passa a ter nome, família e comunidade atingida. Por isso, combater homicídios precisa se tornar prioridade absoluta.

Em Divinópolis e em MG: Valorização não se limita a discurso

Nesse contexto, torna-se essencial reconhecer e valorizar os profissionais de segurança pública. Policiais civis e militares atuam diariamente na linha de frente, muitas vezes em condições adversas, para combater a criminalidade e preservar vidas. Esses profissionais carregam a responsabilidade de enfrentar o crime organizado, responder a ocorrências violentas e manter a ordem, quase sempre sob forte pressão e risco constante. Portanto, valorização não pode se limitar ao discurso; ela precisa se traduzir em salários dignos, melhores condições de trabalho, saúde mental, capacitação contínua e estrutura adequada.

Investimentos nas polícias Civil e Militar não representam gasto excessivo, mas sim investimento essencial. Quando o poder público fortalece as forças de segurança, toda a sociedade colhe os resultados. Mais viaturas, tecnologia, inteligência policial e efetivo qualificado ampliam a capacidade de prevenção, reduzem a violência letal e aumentam a presença do Estado onde o crime tenta avançar.

Divinópolis mostra que está no caminho certo, mas ainda longe do destino ideal. Os números provam que investir em segurança pública funciona. Agora, o desafio consiste em manter e ampliar esses investimentos, focar no enfrentamento aos homicídios e, principalmente, devolver à população de Divinópolis o direito de ocupar a cidade sem medo, sem violência. Segurança pública, afinal, não se mede apenas por estatísticas, mas pela confiança de quem vive, trabalha e circula todos os dias pelas ruas.