Amanda Quintiliano

 

O hospital atende 55 cidades do Centro-Oeste (Foto: Amanda Quintiliano)

O hospital atende 55 cidades do Centro-Oeste (Foto: Amanda Quintiliano)

As cirurgias eletivas no Hospital São João de Deus continuam sem data para serem retomadas. Isso porque a superintendência aguarda a ampliação do teto de repasse do Ministério da Saúde para custeio do Sistema Único de Saúde (SUS). A matemática é simples. Aumentaram os procedimentos e o recurso se manteve o mesmo. A luta para a publicação do reajuste já dura há algum tempo e não deverá ter fim antes de outubro.

 

A burocratização e o período eleitoral resumem as dificuldades do hospital em manter o compromisso com a folha de pagamento dos médicos. Nesta terça-feira (12), 60% do débito foi quitado, mas não há previsão para pagamento do restante. O superintendente, Afrânio Emílio disse que deverá botar a folha em dia ainda nas próximas semanas. Entretanto, não existe nenhuma garantia de que novos atrasos não irão ocorrer.

 

Só com mágica

 

Para andar em dia com os salários e ainda não interferir na urgência e emergência só com uma técnica: mágica. A palavra foi frisada pelo superintendente quando a reportagem o questionou de como irá manter o equilíbrio até o aumento do repasse do SUS. Uma das maneiras encontradas foi com a suspensão das cirurgias, pois os médicos recebem por produtividade, ou seja, se não trabalham, não ganham.

 

“A assistência será de acordo com o dinheiro que tem. Os médicos eu vou pagar, já paguei os 60% e quero pagar o mais rápido em dia. Pode ter um atraso ainda, pode, mas vou pagar todo mundo. Hoje já paguei o maior volume. Agora tem que fazer mágica. Tenho que segurar esses procedimentos eletivos para pagar eles”, afirmou.

 

Atualmente, o São João de Deus recebe, mensalmente, R$ 3 milhões por procedimentos pelo SUS. O aumento do teto representaria cerca de R$ 1 milhão a mais. Todo esse processo burocrático foi classificado pelo superintendente como “protocolo técnico”. Afrânio disse ainda que o apoio político é importante, mas não decisivo para a publicação da portaria e interferência nos trâmites legais.

 

“Seria muito fácil eu chegar lá e dizer vou abrir 50 leitos, me dá o dinheiro e depois a gente ver isso. Tem gente que não abre, que arruma rolo. Acredito que vai vir esse dinheiro porque ele é produção”, disse.

 

É preciso provar para receber

 

Afrânio disse que é necessário ampliar o atendimento antes de receber o reajuste para pagar esses procedimentos (Foto: Amanda Quintiliano)

Afrânio disse que é necessário ampliar o atendimento antes de receber o reajuste para pagar esses procedimentos (Foto: Amanda Quintiliano)

 

Ele ainda afirmou que o Ministério da Saúde só reconhece a necessidade do reajuste na medida em que os procedimentos são realizados. Sendo muito otimista, o superintendente disse que o dinheiro deve chegar apenas após as eleições, mas não descartou a possibilidade de ficar para 2015.

 

“Acho que esse ano está difícil se houver mudanças de governo. Não é um dinheiro político, é um dinheiro de portaria que tem lastro. É uma ajuda permanente. Se a gente tiver todo esse dinheiro na conta a gente quase que iguala [despesa e receita]”, acrescentou.

 

O hospital em números

 

A despesa do hospital está perto de R$ 6 milhões e o déficit mensal é de R$ 1,2 milhão. A dívida está em R$ 110 milhões. Ao mês é quitado cerca de R$ 1,2 milhão, deste total R$ 470 mil são para pagar apenas juros e o restante para amortizar a dívida. Até agora foram quitados 10% do débito. Afrânio disse que assumiu a função com a dívida em R$ 95 milhões. A diferença, segundo ele, é devido a juros.

 

Mesmo diante dos números, Afrânio descartou mais uma vez os boatos de falência e disse que o foco da instituição é outro, o do crescimento. Para 2015 espera-se a abertura de mais 50 ou 60 leitos.