“As pessoas não estão tendo cuidado com distanciamento, fazendo o uso correto da máscara, não estão utilizando o álcool gel”, destaca diretora
O surto de COVID-19 em ambientes de trabalho tem preocupado a Vigilância em Saúde em Divinópolis. “O que isso nos mostra? Que dentro dos locais de trabalho as pessoas não estão tendo cuidado com distanciamento, fazendo o uso correto da máscara, não estão utilizando o álcool gel”, destacou a diretora da pasta, Erika Camargos.
É considerado surto quando há duas ou mais confirmações da doença no mesmo período e local. Quando há registros como este, a Vigilância Sanitária e a Epidemiológica fazem o acompanhamento.
“Olhamos quais são os casos notificados, se as pessoas estão afastadas, se os contatos delas estão afastados e olhamos a questão da desinfecção daquele local”, explicou.
Dependendo da quantidade de pessoas contaminadas há a interdição do local até que se comprove o cumprimento de todas as medidas. A Câmara de Divinópolis registrou surto de COVID-19 com quatro vereadores contaminados. A situação foi controlada e o órgão liberado a funcionar normalmente.
Ela alerta sobre a importância de cumprir todas as normas de prevenção, não só apenas nos momentos de lazer e dentro de casa, mas também no trabalho.
Ocupação hospitalar
A preocupação vem na semana que a taxa de ocupação hospitalar atingiu o pior índice desde o início do mês, batendo 81% na segunda-feira (10/5).
Para a diretora de Vigilância de Saúde o aumento está ligado ao relaxamento das normas sanitárias.
“Apesar de ter todo esse agravo, teve sim um relaxamento por parte da população, em relação ao distanciamento, ao uso de máscara e juntamente com isso nós tivemos hospitais particulares que desabilitaram leitos COVID”, explicou.
Cinco leitos de Centro de Terapia Intensiva (CTI) foram desabilitados pela rede privada o que também impacta na taxa de ocupação. Hoje, o setor privado conta com 56 leitos exclusivos para a doença e o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com 60. Na enfermaria são 100 e 70, respectivamente.
O perfil dos pacientes internados também está mudando.
“Percebemos esse recuo da internação dos idosos e aumento dos jovens que pode se dar também por uma nova cepa de vírus circulante, ele é mais agressivo e leva ao aumento de internações”, explicou.
Onda roxa
Com um histórico de aumento da taxa de ocupação hospitalar desde o dia 1 de maio, Erika não descarta que o município migre da onda vermelha para a roxa, a mais restritiva.
“Infelizmente isso pode acontecer. A onda roxa não depende de uma pontuação. Ela depende da situação. Se vivenciarmos uma situação de falta de desassistência em qualquer momento a cidade pode voltar sim”, alertou, destacando a importância de se seguir as normas de prevenção.
Mesmo com casos de surtos em estabelecimentos comerciais, a diretora explica que o funcionamento do comércio está ligado às diretrizes do Minas Consciente. Quando há registros, a Vigilância faz o acompanhamento próximo para controlar a contaminação.